Páginas

14 de out. de 2012

Ex (petacular)




E quem é que nunca se rendeu... A uma curva brusca em asfalto molhado? O freio foi o primeiro recurso usado que em nada foi adiantado ou quase.  Uma casca de banana jogada erroneamente ao lado de uma lata de lixo? Por tamanha falta de coordenação motora ou sorte ao tentar encestá-la. E a mostarda que manchou tantas vezes nossas roupas? A mesma daquele cachorro quente da barraquinha que temos como lembrança de nossa infância. O pulo na piscina de água fria em pleno inverno, pulo esse que mais era tido como empurrão pela provável infantilidade um do outro. Ou as sobras de borrachas? As mesmas que tentaram apagar um enorme texto em caderno de folha branca, mantendo ainda ali escritas fracas. Após dar todas essas voltas, cá estou. Cansada com a mesma interrogação que me ronda á tempos. Dias, semanas ou meses. Bato de frente e pronuncio em voz alta:

 No final de contas, quem é que nunca se rendeu a um ex?

Eu mesma já vi tantos passarem por minha vida, foram tantas rendidas e voltas que perdi as contas das risadas no meio da noite com roupas amassadas jogadas ao chão. Esse lance de ex ter lugar apenas no passado é pura fachada de mulher insegura fazendo papel de forte e boa moça. De "passado" somente é de ter passado suas mãos pelos corpos chegando intuitivamente ao nosso presente e querendo garantir presença no futuro, olha você aqui deitado gargalhando ao meu lado. Agarrado. Voltou aos meus carinhos porque a reza era forte. Não pensem que rezei noite á dentro para sua volta - pelo menos não após os três primeiros meses. Rezei com joelhos ao chão, pedi paz para o coração. Que se fosse meu voltaria para o seu lugar, assim como as centenas de vezes que perdi meu molho de chaves. Ele é o tipo de homem que ao meu pensar não existe: Deixa uma caneta atrás da orelha para não perder uma ideia, frase ou até mesmo desenho se quer, anota tudo em um bloquinho que tem em seu bolso. Boatos sussurraram em meus ouvidos que estou anotada por ali, entre uma lua cheia rodeada por estrelas, uma cadente e coraçõezinhos desajeitadamente gordinhos. Deito em minha cama sentindo o cheiro de seus cabelos, cheiro de, de... Cheiro de homem, cheiro de meu, cheiro suave. Cheiro dele. Após dar tantas voltas, cá estou. Confusa. Desnorteada com a interrogação que me ronda á tempos: Meses. Bato de frente e pronuncio em voz alta: O que eu havia visto nele? Talvez o seu modo diferente, por eu não gostar de padrões e de coisas simples. Ele estralava seus dedos sempre que estava nervoso; balançava seu pé direito ao se sentar diante dos meus pais; pedia vinho á cerveja - o que encantava-me, odeio cheiro de cerveja em homem meu- ajeitava seus cabelos grosseiramente com as mãos, na pressa da rotina de escritor e psicólogo. É isso! escritor e psicólogo! Era a união de duas paixões na minha vida, ele havia se tornado um triângulo amoroso. Tudo vindo unicamente dele, porque é claro que tinha que ser ele. Mesmo com barba o tornou espetacular. Desbancou muito molequinho novo com seus 18 anos de puro desejo por sexo e nada em mente. Ele tinha aquele jeito de certinho e eu... Eu? Pergunte a quem quiser, terá um show de humor com risadas mútuas. De santa tenho apenas o escapulário que não largo por tamanha admiração, digamos que não sou como as religiosas e nem como as mulheres da vida, sou meio termo, mas não recebo dinheiro por isso.

Dias antes de vê-lo novamente após aquele final de relacionamento inacabado resolvi apagar a nossa história que escrevemos no caderno lilás floral. Ao vê-lo novamente o convidei para comer o cachorro quente que era vendido em uma barraquinha na esquina de sua casa, fazendo lembrar de sua infância. De forma espetacular nos grudamos um no outro, pulamos na água fria de sua piscina - sem pensar no resfriado forte do dia seguinte - De forma desconhecida por mim e talvez até por ele acordamos nem sua cama com lençóis limpos e secos, senti novamente o cheiro de seu cabelo em minha fronha, cheiro de homem, cheiro de meu, cheiro suave. Cheiro dele. Cheiro que agora havia se tornado nosso. Sua cama não era mais espaçosa como meses atrás, meu corpo suavemente de calcinha e sutiã á ocupava por agora, mais tarde, depois, depois e depois assim ele veria. Ele era meu ex, o que de forma extraordinária o tornou espetacular: Dentro e fora do quarto.

Por tê-lo em minha vida mais uma vez após pedir bis aplaudindo feito boba em horas erradas, todos notavam-me mais alegre, bobona, risonha... Veio do passado, passando dias e noites incríveis ao meu lado no presente e por favor, tome aqui a sua passagem com estadia vitalícia comigo no futuro, não aceito troca e não estou autorizada a reembolsos. Andava por esbanjar sorrisos que para os outros não tinha motivos. Que tolos eles, que feliz eu. Ou seria o contrário?

Nenhum comentário:

Postar um comentário