Páginas

21 de out. de 2012

Blefe





Escandalosa como sou e como todos já sabem não sou de fazer cerimônia. Exatamente por isso ao vê-lo entrar pela porta da frente do bar gritei: Amor! Lancei um blefe entre meu cigarro e os copos cheios das mesas. Quem eu queria enganar? Justo eu amando? Com "cheque-que" publicamente? Não estava bem. Não era eu. A fumaça havia me deixado tonta e os goles mais ainda. Todos a minha volta seguraram-se para não caírem na gargalhada. Saindo da boca de quem fosse soaria como uma canção para se ouvir a dois, mas não de mim, de mim não! Estava mais do tipo stand up. Performance suja e de baixo nível, era engraçado para os outros, mas não para mim. Durante toda a minha vida não foi. Era um blefe de jogatina barata que havia me viciado anos atrás. Para ele gritei amor, mas era um blefe. Seguidamente gritei e me calei. Um blefe histórico. Minha mão era favorável, porém foi na retranca que me garanti. Por anos garanti segurança a mim mesma e ao meu coração, o trancando de qualquer blefe de jogador barato. O que acabou tornando-me a jogadora ridiculamente mais baixa. De barata eu só tinha a pulseira que comprei na feirinha no último final de semana que fui para praia. Nunca encontrei alguém que eu julgasse valer a aposta de todas minhas fichas. Mesmo assim ainda não sei porque gritei amor para ele, gritei e me calei. Por algum motivo que eu não sei ao certo eu conseguia enxergar nos olhos castanhos feito avelã uma vontade a mais de insistir, desvendar, ir e não mais voltar. Não ao bar que de costume ia aos finais de semana. Deixei meus cigarros, copos cheios e goles, blefe e todo o meu modo de viver na retranca. De mão favorável ou não eu não questionei, apenas me entreguei como antes nunca havia feito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário