Quando o conheci tive a certeza de que era ele. Era pra mim. Por falta de mais uma corda vocal em tom grave não gritei aos quatro ventos a minha descoberta para quem estivesse ao nosso redor. Mas não foi só a falta de mais uma corda vocal que me impediu de tamanha loucura, a vergonha me puxou de canto feito mãe mandona e tampou minha boca, quase calando minha mente. Gritava á mim:
“ Está louca? Está louca cabocla?! ”
E respondi aos gritos tirando suas mãos de minha boca e mente:
“ Louca, louca, inteiramente louca por ele! Não era pescador, mas havia me fisgado.”
Aquele sorriso espontâneo e olhar brilhando quando ele me rodeava. Eram sensações antes nunca sentidas por mim – não daquela forma. Quando estou ao teu lado as supostas borboletas dentro de mim insistem em bater asas e voarem, de mim para ele. Nos envolvem durante o bater de asas.
Descobrimos no cheiro dos cabelos e da pele perfumes que nunca havíamos sentido. Todas as manhãs acordo esfregando minhas pálpebras, afastando pequenas partículas de sonhos. Disto não precisava, dispenso. Já vivia um sonho. Sonho esse que era moreno, alto e olhos cor de mel que enfeitiçavam qualquer uma.
Deito minha cabeça em teu peito me sentindo mais mulher e não é só sentir, é ser. E como é! Sentia-me mais eu com ele do que com qualquer outra pessoa – desculpe-me mãe. Ele detesta a minha ironia, meu sarcasmo, minha birra e meu bico. Porém é isso que o faz se apaixonar por mim a cada dia – principalmente quando é manhã de segunda-feira (risos).
E mesmo sem segurar minha mão ou cintura ele me tinha e sabia bem disto. Não era pescador, mas me fisgou! De longe eu era teu melhor resultado de pesca. Ele se fartava comigo durante todas as noites.
No desenrolar dos dias enrolávamos um no outro, querendo mais e mais. Era carinho. Era desejo. Era mais.
Naquela altura do campeonato me vi amando, amando absurdamente errado, destrambelhado e desajeitado. E como amo! O importante é que amo. E o amo. Me apaixonei pelo errado também, até mesmo pelas centenas de defeitos dele.
Fisgou-me de tal forma que não conseguiria me soltar nem mesmo se quisesse. E acham que eu queria? (risos) Quem disse que queria ser livre novamente? Ser livre sozinha não tem graça alguma. Aceito viver enroscada sem reclamar, desde que seja com ele. Mas é claro que tem que ser ele.
Eu sou diferente das outras, uma flor de cáquito com aroma que entorpece dos mais finos gostos aos mais vagabundos. Eu sou diferente e deixei isso em evidência desde quando pensei em gritar aos quatro ventos. Deixei. O deixei solto, sem anzol – devia ter o fisgado como ele fez comigo, mas para pesca não tenho jeito mesmo, nunca vi graça nisso.
Amar é assim, deixar viver, livre, na confiança do sentimento que despertou. Passear pra lá e pra cá, mas sabendo o rumo do seu lugar e voltar. E o lugar dele havia se tornado meus braços, com minha mão lhe fazendo cafuné seguidamente durante a noite até o fazer dormir. Dormir feito criança, na proteção dos meus braços.
O soltei demais, tanto que foi e não voltou. E que não tenha encontrado outros braços mais confortáveis e quentes que os meus e um cafuné que adormeça mais que o meu. Boatos de seus amigos disseram que depois de mim houveram mil, mas nenhuma o fez adormecer feito criança protegida como eu.

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