Nas férias sempre vou visitar minha querida avó no interior. Gosto pela parte avó e detesto pela parte interior. Defino a paisagem de forma simples, mato, cerca, mato, vaca, mato, galinha e mato. Já ia me esquecendo, mato. Eu gosto mesmo é da cidade grande, muita movimentação e iluminação.
Mas é no interior que eu me desligo e me distraio. Precisava mesmo de um tempo para esquecer quem já havia me esquecido meses antes. Ô cidadezinha pa-ra-da! A novidade era um bingo próximo à padaria da “avenida principal”. Na falta de algo melhor aceitei o convite de minha avó, é o que dizem azar no amor sorte no jogo.
Eu atrapalhada como sou ao colocar o pé esquerdo no bingo acabei trombando em alguém, demorei ao ver quem tinha sido a pessoa que havia entrado em meu caminho. Meus cabelos estavam em meus olhos. Senti uma voz suave me pedindo desculpas, uma mão gelada em meu rosto me livrando o olhar e uma pegada forte em minha cintura assegurando que eu não caísse. Quando voltei a mim olhei desconfiada para entender o que estava acontecendo e com quem. O vi, me mexi logo depois dele ter mexido fortemente comigo. E como mexeu ó Deus!
Não tive tempo de dizer uma palavra se quer, minha avó me puxava pelo braço gritando para saber se eu estava bem. Se eu estava bem? Era só olhar para meus olhos que brilhavam mais que, que, mais que qualquer coisa. O encontrei inexplicavelmente do nada, mas valeu por tudo. Um minuto o olhando e o resto da noite pensando e recordando aqueles 60 segundos de puro êxtase.
Fui sentar e ouvir o sorteio daquela noite. Estava inquieta, mais do que o normal – assim como minha mente e o coração. Os números sorteados foram alterados, certeza. Passaram de 10 como todas as outras noites para 8 e como uma piada o homem a cada número sorteado dizia: “É DDD 12 minha gente!” Minha avó me perguntava:
- Que diabos é DDD minha neta?
Eu não tinha espaço em minha mente para pensar em mais nada além dele. E exatamente por isso peguei meu celular e disquei aquela sequência de números, quase me esqueci do DDD que logo o homem fez a piada novamente.
Chamou uma, duas e meu coração estava para sair pela boca quando na terceira vez escuto uma respiração ofegante. Do outro lado escuto em alto e bom tom:
- “Bingo! E do ditado popular lhe provo o contrário, sorte no amor e ainda mais no jogo.”

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