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23 de jul. de 2012

Guri dos olhos verdes




Ele foi o primeiro guri que eu bati meus olhos e disse: Esse eu quero!
E por notar o brilho daquele par de olhos verdes eu não era a única que queria. Meu lado virginiana bateu forte que de ingênua não tenho nada além da cara. Nós tínhamos muita química, eu estou falando de muita mesmo, coisa para estudar um ano letivo inteiro. O romance deixávamos para quem o entendesse, éramos do tipo casal safado. Ao popular: putaria.

Não éramos o casal blá, blá, blá do amor, mau casal éramos. Sempre tive medo de me apaixonar e naquele guri dos olhos verdes eu via mais além, me via refém daquele teu corpo muito bem esculpido e jeito safado de me olhar. Era diferente de todos os carinhas da minha cidade.

Por ser uma eterna perfeccionista não parava de notar seu lado super maduro, inteligente e carinhoso. Não é que o guri era engraçado também? Enfeitiçou-me mais uma vez, além de seus belos olhos verdes. Por ser uma eterna perfeccionista logo notei que além de guri dos olhos verdes não deixava de ser um completo idiota, que me enfeitiçava e irritantemente mostrava o quanto era irritante. Além de orgulhoso fazendo-me calar a cada vez que me provocava, este era o seu segundo passatempo preferido. E o primeiro não precisa nem mesmo falar, até porque não consigo me concentrar em palavras enquanto sinto suas mãos passeando por meu corpo.

Aquele canceriano soube bem como me deixar perdida e encontrada somente quando estava em seus braços, o que pouco acontecia já que era de outra cidade. Do tipo convencido, vivia jogando em minha cara o quanto eu era boba por ele, eu era mesmo. E como era! E como sou! Sabíamos que a teimosia e o bater de pé eram coisas que compartilhávamos com orgulho. Pois bem, ele era um completo bobo por mim sendo assim. Definição essa que nenhum dos dois tinha a coragem de pronunciar além dos olhos brilhando e corpos fervendo.

Ferviam, borbulhavam e nos rendemos um ao outro mesmo com a teimosia de admitir o real desejo ou medo vibrante de se tornar um casal blá, blá, blá e supostamente entender o nosso romance. Éramos atos cheios de tato.

O guri resolveu se bandear e tatear por outras bandas, outra cidade e não é que ele pensa alto? Quer tatear pelo mundo a fora também, e eu? Eu pequena como sou continuo nessa cidadezinha mesmo.

Os olhos verdes daquele guri enfeitiçaram os meus castanhos. Mas não é por esse feitiço que eu vivo, vivo sem compromisso algum como havíamos combinado. Eu tenho a certeza de que a nossa história ainda não acabou, um dia ele chega até mim com aqueles olhos verdes fazendo-me sentir enfeitiçada novamente. Diferente dos pirralhos da cidade ele foi o primeiro guri que eu bati meus olhos e disse: Esse eu quero!

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