"Saia! Pegue suas coisas e tudo o que sente, vá para bem longe onde minha vista não possa enxergar e meus pés alcançar. Não ouse me falar de amor na saída."
Essa
foi minha fala forte e alta por cerca de 13 vezes só no último mês.
Outubro não é um mês bom para mim, mas a culpa não era do décimo segundo
mês e sim sua. Da mesma forma que você vivia resmungando logo após uma
briguinha “A culpa é minha, né? Sempre minha. Você nunca está errada!” Usar a palavra nunca não é algo muito aconselhável se a intenção é te deixar vitorioso, mas de uma maneira ou de outra eu estava certa onze em dez vezes (risos).
As
estatísticas falhavam sempre que eu te mandava embora quase que a ponta
pé com suas roupas jogadas pelo hall do meu apartamento. Os vizinhos já
sabiam que havia um show a cada semana do mês, não ficavam mais
surpresos. Eu cansada daquela imagem ridícula que passava a todos, estava
disposta a sair daquele show com um gran final. Para isso ele não poderia pronunciar a palavra amor, porque isso estaria totalmente fora do script e nem atriz eu sou para forçar um caco.
Pensava: Quantas vezes mandei ele embora e chegando a hora de fechar a
porta em sua cara comecei a chorar? Desesperada e fugindo de todo o roteiro me jogava em seus braços dizendo repetidamente que o amava e precisava de sua presença durante noites chuvosas. Ele não falou amor e sim eu, falei, gritei, encenei e me ridicularizei com isso. Era eu quem cedia o combustível
daquela relação, mostrando que sentimento sincero
vinha de mim, inteiramente de mim. Ridícula. Muito. Não, não
irá mais vir, o amor se perdeu do corredor do meu quarto para a cozinha.
Que ele não me olhe com cara de cão abandonado que está para forçar um
choro de piedade por casa, comida, carinho e roupa lavada. E muito menos
coloque suas mãos em minha cintura me puxando até o seu corpo quente que
entra em choque com o meu frio. Eu não o quero mais. Estou o tirando da minha vida. Por mais fraca que eu me veja agora a única força de que
preciso é de fechar de vez a porta para você, trancar e jogar a chave
fora. Refazer-me aqui dentro, sair quando for seguro o bastante, quando
me fizer bem.
Tornei-me forte, além das roupas o joguei no hall e fechei a porta. A deixei fechada durante meses, ainda sentindo o choque do seu corpo quente em minha mente fria, o que eu agradeci sem parar por não amolecer o meu coração durante a sua saída da minha vida. Foi para longe onde minha vista ainda podia enxergar, erguia meu olhar e por estar em cima de um salto não o notava. Meus pés o alcançavam, mas não se moviam um milímetro se quer em sua direção por vontade e amor-próprio. Após isso tive apenas noites de calmaria e não mais chuvosas, céu limpo imitando minha mente por ciúme. Vesti branco porque havia saído do luto, usei meias pela estação meio termo com joelhos surrados por inúmeras vezes ajoelhar pedindo paz, levantei e fui atrás. Pintei novamente as unhas de vermelho, vermelho paixão porque é o que eu tô querendo. De imagem ridícula para os vizinhos virei tentação.

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