Páginas

1 de mai. de 2012

Desapega se não pega





Odiavam-se. Cada um sentia pelo outro uma profunda indiferença e desprezo. Desinteresse. Pouco a pouco foi se transformando em apego por completo.

Doía aos dois o que estava para acontecer, dar o braço a torcer não aparentava a eles algo justo por suas personalidades. Praticaram assim mesmo, na cegueira da sensualidade um do outro.

Descobriram o que jamais pensariam descobrir. Não naquele momento. Não daquela forma. Pegaram-se. Pegaram mesmo. Com força e brutalidade, no fogo de tanta sensualidade. Pegaram-se, sem compromisso algum desde o começo, essa era a condição dos dois. Pegaram-se sem apegar, além de fisicamente.

Era um ciclo vicioso, quase que impossível de conter e se desgrudar. Era prazer sem fim, dando e recebendo em dobro. E quem é que não gostaria de fazer parte desse ciclo? (risos) Tudo o que é bom dura pouco, estava por durar demais aquela pegação toda. Mais que uma estação até. Pela certeza de ser mais que boa. Ex-ce-len-te eu diria!

Ele acostumado e ela incomodada. Sentia ela na obrigação de desapegar, ou pegar de vez. Ainda mais. Por completa, por inteira e sem ter dia, hora e nem lugar para acabar. Sabia ela que não daria certo, sabia desde o primeiro olhar, sorriso envergonhado e safado.

“ – No fim de contas, que diabo possuo eu?!”

Possuía apenas um rapaz bonitinho, cheio de acanhamentos quando lhe interessava. Era ela muito ligeira e viva, lisa e seca, diferente de todas. Digo e repito: Diferente de todas!

Em um ato de plena consciência, o procurou. Na mente como a última vez, no corpo como mais uma de tantas vezes. Sem pressa, sem brutalidade, apenas desejo. Desejo forte que gritava por cada parte de seu corpo. Deitaram. Fizeram ali queimar por toda pegação que já tiveram, queriam e desejariam um dia. Superaram todas as pegações que ali tiveram antes.

Cada vez mais se complicando e pegando. Grudando. Entre braços, pernas e cinturas. Dormiram. Ao acordar ela sussurrou no ouvido dele:

Peguei durante a noite toda. Desapego hoje pela manhã para não lhe pegar nunca mais! ”

Ele ainda dormindo, talvez tentando acordar para entender o que ali acabou de ser feito, sorri. Deixa á ela o sorriso mais lindo que já havia dado e ela visto. Vira-se e continua a dormir. Ela levanta da cama e se arruma, vai embora deixando um bilhete na cômoda ao lado da cama que dizia o seguinte:

“ De tanto nos pegarmos perdemos o tato...”

Escreveu, leu e sentia aquilo com uma convicção enorme. Convicção de quem tudo pode e tudo espera. E pode mesmo. Bastava esperar um pouco, talvez até menos. Atravessando a rua já embarcaria em uma história ainda melhor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário