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6 de mai. de 2012

Continua a dirigir para longe, sem destino, apenas longe



Ei taxista, dirige. Dirige pra bem longe, pra qualquer lugar. Ô senhor taxista, não se preocupa, que dinheiro eu tenho, pago bem. Pode escolher o destino. Pode ser qualquer um. Só me leve daqui, o mais rápido possível! Não tenha medo, não sou uma louca, apenas uma jovem loucamente apaixonada, por alguém que se desapaixonou há muito tempo por mim.

Se acalme, dinheiro é o que menos me interessa. Conte melhor sua história pequena, tome aqui uma caixa de lenços, sei que vai precisar – Diz o taxista com a face bondosa.

Muito obrigada senhor  taxista, muito obrigada mesmo. Conto se o senhor continuar dirigindo, vai, dirige para bem longe.

O taxista então obedece a jovem e continua a dirigir para longe, sem destino, apenas longe.

A jovem então começa a contar o porquê daquela corrida para longe, ao dizer a primeira frase já pega um lencinho sabendo bem o rio de lágrimas que estava para se repetir, como na noite anterior, na outra, na outra e na outra.

Aquele nosso joguinho de vai e vem já havia chegado ao fim, por mim. Por mim e a minha personalidade forte de já não aguentar ser procurada quando o futebol, amigos e vídeo game não o faziam bem. Tratava-me mal, bem, de uma forma qualquer ou divinamente bem. Ia de acordo com o seu humor, humor esse que sempre estava cansado. Cansada estava eu daquela rotina ridícula que me prestava a viver. Vivia aquilo por achar que nunca conseguiria viver sem ele, nunca teria alguém melhor. Olha, com todos aqueles defeitos ele era perfeito. Perfeito pra mim, com aquele sorriso que me deixava boba – mais do que o normal (risos). Mas não se vive apenas de sorrisos, nem disso eu estava vivendo mais. Mal estava suportando.  

Como diz o ditado “ Quem tá na pista, tá pra negócio ”, mas ele o entendeu de um modo grosseiramente errado, estava eu em teus braços. BRA-ÇOS, de braços pra pista há uma grande diferença não senhor taxista? Eu nunca devia ter entrado naquele mar de incertezas que era a vida dele. Mas entrei e me atirei de cabeça. Sempre fui um peixinho para nadar, desde pequena nas competições de natação que tinha na cidade. Desta vez quem entendeu de um modo grosseiramente errado fui eu, eu em achar que ele se tratava de mais uma competição boba de natação.

No rádio do táxi começa a tocar uma música calma, o taxista aumenta o volume e diz: Ouça pequena, gosto tanto desta música, me acalma, se acalma junto comigo e a música.

Ela então para de chorar, respira fundo e começa a prestar atenção na música. Minutos depois volta ela a desabar e diz:

É senhor taxista, essa música acalma mesmo. Acalmaria-me mais se ela não fosse à música do meu primeiro beijo com aquele idiota que me deixou nesse estado.

O taxista envergonhado e sem saber o que dizer continua a dirigir para longe, sem destino, apenas longe. E ela continua sua história.

Ele não deve estar se importando comigo mesmo. Nunca se importou se for parar para pensar. Acredita que nunca me deu um botão de rosa?! Acho isso um absurdo, sempre soube que sou apaixonada por rosas.

Chorava por me sentir uma completa idiota, justo eu a “espertona”,  a “bambambam” . Sentia falta das gargalhadas que só ele conseguia arrancar de mim com tamanha facilidade. Mas tudo isso foi no começo, nas noites que seguiam as duas primeiras semanas, no máximo um mês. É, um mês, pois ainda lembrava dele e aquele sorriso, só que destas vezes sem chorar, apenas pensando em como dois seres como nós não tiveram a capacidade de acertar juntos.

Esperava  que eu fosse sentir falta, que eu derrubasse rios de lágrimas, que eu lhe fizesse ficar. Esperava que eu fosse a casa dele lhe pedindo pra voltar, que eu ligasse para o celular dele sem parar, durante todas as madrugadas, enchendo sua caixa de entrada de sms. Evitei por todo esse tempo as redes sociais, sabe senhor taxista, elas são um perigo para todo casal que não sabe usá-las. Mas pelo que vejo, o feitiço virou contra o feiticeiro. E sobre feitiço eu não me apresento e nem me tento, por ele eu me nego. Nego toda essa vontade por ele, deixando mais uma vez meu orgulho falar mais alto. Pois se tem algo que me garante total segurança, é o meu orgulho. E essa vontade que eu digo que tenho por ele, é na verdade vontade por qualquer um que me trate bem, que me cuide, me proteja e me faça rir.

Chegamos – Diz o taxista se virando para a jovem e sorrindo.

Ela olha para fora e diz:  Onde estamos senhor taxista? Mas ainda em minha cidade, ué!

O taxista abre a porta e a jovem sai, avista longe um belo rapaz com um buquê de rosas nas mãos. O taxista segurando sua mão diz:

  Deixa este teu orgulho de lado pequena, vai viver com quem te quer bem. Ele estava do lado de fora de tua casa, havia ido lá para vocês conversarem, se resolverem, voltarem. Viu você entrando em meu táxi. Já que você não sabia para onde ir ele sabia, sempre soube apenas me disse e eu trouxe.
 

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