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8 de abr. de 2012

Quem aguentaria?




Arrumando a minha gaveta encontrei aquela corrente, maldita corrente que  fez lembrar-se dele. Fez-me quebrar aquele jejum. Fez-me voltar no tempo. Aquele tempo bom que vivemos juntos – diferente de agora que mal sabemos por onde o outro anda. De leve  lágrimas foram se crescendo em meus olhos, as segurei.

Levando a sério aquela promessa que eu havia feito a mim mesma. “Por homem eu aceito chorar, choraria rios até, mas por moleque? Nem mesmo uma lágrima.” Falo dele é claro, na segunda parte de minha promessa. Moleque certo. Certo o fez ao desistir de mim. Mais do que certo eu diria, lhe dou os parabéns até!

Afinal, quem aguentaria uma pessoa mimada? Do tipo que exige atenção 24hs por dia, tudo do seu jeito, sem tirar nem por. Quem aguentaria uma pessoa mentirosa?  Capaz de mentir até mesmo a hora do relógio. Quem aguentaria uma pessoa que só erra? Não importa o que faça, erra uma, duas, três, erra mil vezes. Se gabando, sem nem ao menos admitir o erro. Quem aguentaria uma pessoa com sorrisinho falso a todo o momento? Alegria demais se duvida, chega ser falsidade. Quem aguentaria uma pessoa tão insegura? Incapaz de dar um passo se quer sozinha. Quem aguentaria uma pessoa que só fala (grita) e não ouve? Quem aguentaria? A chave de um bom relacionamento é o diálogo, que é quebrada quando muito se fala e pouco se ouve. Por pensar agora, me pego nas dúvidas: Um dia nosso relacionamento teve uma chave para que fosse quebrada? Se é que de relacionamento aquela rotina de brigas, beijos e silêncios podem serem chamados. Quem aguentaria uma pessoa sempre fria? Que nem mesmo as estações do ano fossem capazes de aquecer ou até mesmo aquelas doces palavras de amor. Quem aguentaria uma pessoa cega de ciúme? Incapaz de ver o quão é amada sem a necessidade de tamanha loucura da dúvida. Quem aguentaria? Quem aguentaria uma pessoa assim? Completamente errada?

Certo o fez de desistir. Certo o fez de entender o “game over” que eu dei. Certo em ir para outra partida. Não sou maratonista para ter alguém correndo atrás de mim, pra quê? Se eu quiser, desacelero o passo e deixo me acompanhar. Não uma pessoa como ele, eu me conheço bem. Sem paciência para a minha carência, insegurança e falhas, muito menos para as dos outros não é? (risos) Caí fora antes de me preocupar, antes de me machucar. Ele seria incapaz de me machucar, machucaria a ele mesmo na verdade.

Eu mesma me machucaria com esse meu todo de perfeccionista. Ele de perfeito mesmo só tinha o sorriso, aquele que com anos de acompanhamento odontológico se fez, porque fora isso, nem mesmo o nome. Mesmo sendo assim tão perfeccionista, adorando o comando de tudo e de todos, ainda me dá vontade de voltar para ele. Para ele e aquele sorriso que tanto me encantava – ainda encanta.

Mas logo eu arriscar a minha estabilidade de coração blindado? Não arrisco. Recuso-me. Demorei a conquistar. Em time que está ganhando não se mexe não é mesmo? E o meu está subindo na tabela. Olha, por mérito meu, sem você.

Levanta-se e joga no lixo a maldita corrente.

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